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Os custos invisíveis da falta de projetos de carreira em Portugal

Wednesday, July 22, 2026 - 12:40
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Notícias ao Minuto

Artigo de opinião assinado por Joana Carneiro Pinto, professora associada na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (FCH-UCP) e autora do livro "Orientação Vocacional - Para Jovens dos 12 aos 18 Anos" (PACTOR Editora).

Terminou mais um ano letivo e, com ele, repete-se um ritual anual: milhares de jovens preparam-se para os exames nacionais e para selecionar opções de cursos e estabelecimentos de ensino superior que ditarão o seu futuro próximo. Infelizmente, para uma parte considerável destes estudantes, este processo é uma espécie de “tiro ao alvo” completamente às cegas, orientado por critérios frágeis, como a aparente facilidade do curso, a fuga a determinadas disciplinas ou a vaga promessa de que certa licenciatura serve para abrir mais portas.

Apesar do meritório e exigente trabalho desenvolvido pelos profissionais de orientação e aconselhamento de carreira nos nossos estabelecimentos de ensino, é imperativo reconhecer que o modelo atual tem sido insuficiente para responder às exigências contemporâneas. O mundo do trabalho transformou-se radicalmente. Expressões como VUCA ou BANI instalaram-se no léxico quotidiano precisamente para traduzir o dinamismo, a instabilidade e a profunda imprevisibilidade do mercado atual.

Hoje, a perspetiva de manter o mesmo emprego para toda a vida está completamente ultrapassada. Estima-se que os jovens que agora ingressam no mercado de trabalho venham a mudar de emprego, em média, cerca de 13 a 18 vezes ao longo do seu percurso profissional (dados da McKinsey). Este cenário coloca em evidência a urgência de mudarmos o paradigma educativo. Urge dotar os jovens de proatividade e de agência pessoal, preparando-os para lidar com a incerteza e com o desconhecido. O foco deve transitar da mera acumulação de conhecimentos teóricos e técnicos para o desenvolvimento de competências transversais e para a capacidade de rever, autonomamente, o próprio projeto de carreira ao longo da vida. Consequentemente, o apoio especializado não pode continuar a ser um ato pontual e circunscrito ao final de um ciclo de estudos.

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