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Os apertos de mão podem ser substituídos por um sorriso? Ou a pandemia provocou apenas uma “disrupção” num sinal “programado no ADN”?

Tuesday, May 18, 2021 - 11:13
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Expresso

Gesto tradicional de paz, o aperto de mão pode estar inscrito no nosso ADN, sugerindo a psicologia que é um bom aferidor de personalidade. Em tempos de pandemia, o cumprimento teve de ser substituído, a ponto de nos perguntarmos se alguma vez voltaremos a estender a mão aos outros como dantes.

Um aperto de mão é mais que um cumprimento. Quando a 19 de novembro de 1985 o Presidente dos EUA Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev se encontraram pela primeira vez, em Genebra, o aperto de mão entre ambos correu mundo, sinónimo de aproximação e esperança no futuro das relações diplomáticas internacionais. Quase 30 anos antes, foi também esse o gesto que valeu a David Attenborough sair de uma situação complicada na Nova Guiné, quando realizava um documentário sobre pássaros. Confrontado por uma tribo, cujos membros se preparavam para o atacar armados de facas e lanças, o naturalista arriscou um “boa tarde”, estendendo-lhes a mão aberta. Do lado de lá, outra mão apertou a sua, encerrando o potencial conflito.

Podiam citar-se outros exemplos. O aperto de mão tem essa dimensão simbólica, que se perde no tempo, pelo que não deixou de ser significativo que a pandemia nos tenha obrigado a abdicar dele, traduzindo o quanto o vírus nos afastou (literalmente) do outro, privando-nos do contacto físico. Afetará este período a forma como nos vamos relacionar no futuro? “Possivelmente”, é a resposta de Augusta Gaspar, coordenadora da área científica de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP). “A cultura evolui constantemente, e os sinais têm mudado ao longo da nossa evolução cultural”.

Historicamente, uma das teorias mais populares sobre a origem do aperto de mão defende que este começou por ser usado como um gesto de paz. O toque das mãos provava que nenhum dos intervenientes tinha armas, e o sacudir das mãos era uma forma de garantir que nada existia escondido nas mangas.

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