Nenhuma democracia pode temer a realizações de eleições. É verdade que a sua existência não é garantia absoluta de que o regime que as organiza é democrático; mas um regime que não as realiza só pode ser autocrático ou coisa pior. Sucede que, em democracia, as constituições prescrevem os ritmos eleitorais, espaçando-os no tempo (quatro anos é a regra), para que governos, autarquias, presidentes ou demais poderes eleitos atuem no quadro de mandatos que conferem tempo e, portanto, estabilidade e previsibilidade para o exercício das funções e para a realização de obra.
Portugal vai ter, novamente, eleições legislativas. Perante o caso montado pelo, a despeito do, ou contra o primeiro-ministro, por causa da sua empresa, das suas avenças e das suas contraditórias ações e parcas explicações, cada força política fez o que era lógico que fizesse, em face do ocorrido desde março de 2024. O PS, o CH e as esquerdas votaram contra a moção de confiança apresentada pelo governo; a AD e a IL votaram a favor. E o presidente, tendo cimentado a doutrina para-constitucional de que a queda de um executivo implica dissolução, tratou de agendar novo escrutínio.
Artigo completo disponível na Renascença.