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Ana Oliveira: “Quando um colaborador chega ao local de trabalho, não chega sozinho”

Quinta-feira, December 18, 2025 - 10:49
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Quando um colaborador entra na empresa, traz consigo muito mais do que competências e tarefas. Traz responsabilidades familiares, fragilidades financeiras, cansaço emocional e esperança no futuro. O estudo sobre as empresas que implementaram o Programa Semáforo mostra que a pobreza não está fora das organizações — está dentro delas, de forma silenciosa e persistente. Em entrevista ao VER, Ana Oliveira explica o que revelam os dados, por que razão o bem-estar não pode ser reduzido a factores económicos e como o Semáforo está a mudar a cultura empresarial
POR HELENA OLIVEIRA

Os resultados do estudo realizado junto das empresas que implementaram o Programa Semáforo revelam uma realidade desconcertante: mesmo entre colaboradores com emprego formal, a ausência de poupança é generalizada, deixando muitas famílias num estado de vulnerabilidade permanente perante qualquer imprevisto. Esta insegurança económica persistente mostra que uma parte significativa dos trabalhadores vive numa fronteira muito ténue entre estabilidade e risco, confirmando que há pobreza dentro das empresas — uma pobreza silenciosa, pouco visível, mas com impactos profundos na vida das pessoas e no seu desempenho profissional.

Para além do diagnóstico social, o estudo evidencia também uma mudança cultural relevante nas organizações que adoptaram o Semáforo. Mais do que medir indicadores, o programa tem funcionado como um catalisador de transformação: as empresas passam de uma lógica centrada na avaliação para uma cultura de cuidado, onde temas como saúde mental, fragilidade financeira, conciliação entre vida pessoal e profissional e redes de apoio deixam de ser tabu. Ganha força uma noção de co-responsabilidade, em que liderança e colaboradores reconhecem que o bem-estar não é apenas individual, mas uma construção colectiva — com impacto directo na coesão, na confiança e na sustentabilidade das organizações.

Numa entrevista aprofundada, Ana Oliveira, professora de Serviço Social na UCP e coordenadora do Mestrado e Doutoramento em Serviço Social, analisa os resultados do estudo realizado junto das empresas que implementaram o Programa Semáforo, reflectindo sobre as debilidades silenciosas que atravessam o mundo do trabalho, o impacto organizacional da pobreza invisível e a mudança cultural que ocorre quando as empresas passam de uma lógica de avaliação para uma lógica de cuidado.

 

Leia a entrevista completa, aqui.