Professora de Filosofia, Política e Economia na Universidade Católica de Lisboa, Ana Maria Evans analisa a atual guerra da Rússia contra a Ucrânia, o choque entre a NATO e Moscovo e as consequências do conflito no plano global, tendo em conta a rivalidade também entre EUA e China.
A invasão da Ucrânia só pode terminar com uma rendição ucraniana ou acredita que é possível uma mediação que salve a face a Vladimir Putin e permita a Volodymyr Zelensky manter a soberania do país?
Sim, acredito que é possível uma mediação que salve a face a Putin e permita a Zelensky manter a soberania do país. Infelizmente, essa solução - que poderá ocorrer quando a Rússia capturar pontos vitais na Ucrânia - implicará a perda de integridade territorial neste país. A definição da partição e a garantia da neutralidade da Ucrânia constituirão o epicentro das negociações de mediação.
É só o risco de uma guerra nuclear que impede a NATO de intervir em favor da Ucrânia?
Acima de tudo é o risco de escalada nuclear que impede a NATO de intervir no terreno. Mesmo que não existisse este risco, uma intervenção direta num país com a dimensão da Ucrânia (que não é membro da NATO) exigiria recursos humanos, operacionais e equipamento a uma escala muito maior do que qualquer anterior intervenção pela NATO em situações de conflito. A Europa e os EUA estão a apostar na aplicação de sanções à Rússia que constituem uma espécie de "guerra nuclear económica", segundo a convicção que "a ambição militar de um país é limitada pela sua capacidade de resistência económica".
Artigo completo na edição de 8/3/2022 do Diário de Notícias e aqui.