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Helena Rebelo Pinto: “Usamos o sono como um brinde. Mas é uma função de sobrevivência”

Domingo, Outubro 27, 2019 - 15:44
Publicação
Sábado

Psicóloga do sono, que se dedicou sobretudo aos temas da família e da educação, recusa trabalhar depois da hora de jantar para poder descansar antes de ir dormir. Helena Rebelo Pinto refere que existe um excesso de medicamentos.

Helena Rebelo Pinto - press news

Vai coordenar a primeira pós-graduação em Psicologia do Sono, na Universidade Católica de Lisboa, que começa a 15 de novembro, e continua a receber pacientes no seu consultório. Helena Rebelo Pinto, mãe da escritora e bestseller Margarida Rebelo Pinto, já escreveu livros para crianças e adolescentes, com a neurologista Teresa Paiva, sobre o sono – "a minha filha escreve melhor que eu" – acredita que ainda há um grande caminho para a educação do sono. Hoje não sabemos dormir e são muitos os erros que cometemos, como fazer desporto à noite ou tomar um banho quente antes de ir para a cama.

Não sabemos dormir?
As pessoas não sabem da importância do sono, não conhecem que a privação do sono potencia a emergência de doenças gravíssimas como a diabetes, a depressão ou o cancro. Desvalorizamos muito o sono. Há uma preocupação no sistema educativo relativamente à alimentação, ao ambiente, à educação física, mas o sono está omisso. Encontramos hoje uma população de crianças e de adolescentes com défices de sono muito graves e com repercussões na saúde física e não só.

Que outras áreas?
No comportamento violento, no insucesso escolar e, de um modo geral, na qualidade de vida. Há estudos que encontraram uma correlação entre a agressividade nas escolas e a automutilação de crianças com a privação de sono. Outro exemplo, há uma investigação do Instituto Superior Técnico que mostra que os alunos com melhores classificações são os que têm sono de uma duração adequada e regular. Já a Universidade de Coimbra fez um estudo que demonstra que a privação de sono é geradora de obesidade. Estamos a falar de situações graves, não é apenas do bem-estar. Nós usamos o sono como uma espécie de um brinde. Não percebemos que é uma função de sobrevivência básica. A privação de sono já está identificada pela OMS como uma doença. Por isso é que esta pós-graduação não é apenas dedicada a psicólogos, mas a profissionais como médicos, professores, educadores de infância, assistentes sociais ou nutricionistas.

Ler a entrevista na Sábado aqui.

Nota: Este artigo faz parte da versão exclusiva para assinantes.